30 novembro, 2007


"Nada mais permanece do que a lembrança de um prazer,
ou o luxo de um remorso.
A única maneira de nos livrarmos de uma tentação,
é cedermos-lhe.
Se lhe resistirmos,
a nossa alma adoece com o anseio das coisas que se proibiu..."

Oscar Wild, in "O Retrato de Dorian Gray"

01 novembro, 2007

Espreitei só p'ra te dar um olá, ó meu blogue!
P'ra te dizer que não te abandonei, que ainda tenho muito p'ra te dizer...
O arguido é o tempo, o grande adversário da ocasião.
Falta de tempo... Dá um tempo... Há tanto tempo... Volta no tempo... Com o tempo...Quanto tempo?

02 outubro, 2007

"I want to get away...I wanna FLY away... Yeah yeah yeah "

A convite da mesma, assisti ontem ao lançamento oficial da Caminho das Estrelas - Turismo Espacial, S.A - empresa projectada pelo primeiro Português no Espaço, o empresário Mário Ferreira - e à apresentação do programa de Viagens Espaciais da Virgin Galactic, no Planetário do Porto.
Pela módica quantia de 200 mil dólares já podemos adquirir um voo de 2 horas e meia a bordo da SpaceShipTwo, uma aeronave - projectada pelo inglês Seymour Powell - lançada em direcção às "estrelas" a uma altitude de cerca de 60 mil pés pelo WhiteKnightTwo.
[Caso p’ra bradar um "Ena!" ou até mesmo soltar um "Porra… Pá… Porra…"!]


Depois de largada pelo seu "transportador", a "pequena" aeronave inicia a subida até aos 360 mil pés através da propulsão a jacto. Esta subida demora apenas 90 segundos, atingindo uma velocidade 3 vezes superior à velocidade do som [o que em termos iustrativos será o mesmo que vislumbrar-te a ti e à poltrona que te leva em perfeita simbiose, mútua osmose, tudo “ose”, transformados em “casal-perfeito-agora-somos-um-só”!].
Chegado ao apogeu (altitude máxima) e consequentemente ao espaço sub-orbital, a configuração das suas asas alteram-se para permitir planar por 3 a 4 minutos e de seguida, iniciar a descida, para a reentrada na atmosfera, puxada pela força gravitacional da Terra. Etc. Etc. Etc.
No total serão não mais de 10 minutos "a ver estrelas"... Mas admito que o cenário merecerá - já o vem dizendo João Garcia, cada vez que sobe à infinita mudez do céu...

Richard Branson não pode estar presente, mas o seu representante assegurou que os primeiros voos de teste deverão ser efectuados em 2008, estando as operações comerciais marcadas para 2009.
Até lá espero vender as Contas de Viana, as Acções da Brisa, o Bonsai Nipónico e n.º 1 da Revista Tintin... Espero fazer o “pé-de-meia” que me leve definitivamente às estrelas! Assim como tem de ser: literalmente!... Que "de boas metáforas está este inferno cheio"!
Fui cumprimentar o Mário Ferreira. A curta conversa foi suficiente para confirmar as minhas suspeitas de "tipo-porreiro".
"- Então, Mário… sempre vais até lá cima…?!" E ele contestou que sim, que estava entusiasmado, que tem vindo a fazer imensas provas... e que um dia também eu poderia ir, porque "agora somos pioneiros mas não tarda nada a viagem vai ter valores bastante acessíveis…“ Percebi que ele teria, então, passado os olhos pela minha armação da Multiópticas, quiça p’la fivela gasta das minhas botas ou incluso reparado nas madeixas já descoloradas… E a curta conversa foi suficiente para ele confirmar as suas suspeitas de "tipa-sem-200 mil dólares"! Ainda assim, sem mágoa nem ressentimento, sugeri-lhe que quando fosse tomasse duas de Vomidrine [ou o genérico correspondente, que a vida não está p’ra grandes gastos sobretudo pr’a quem viaja assim] - umas pastilhas p’ró enjoo que costumo tomar quando mergulho em incursões mais vertiginosas -, e que de forma alguma se esquecesse da Rolleiflex. Ele agradeceu. Eu – nem sei bem porquê! – também.
No regresso, alguém que assiste com alguma frequência às minhas solitárias "viagens astrais", indagou: "E essa agora de tu quereres ir ao espaço…? Se lunática já tu és que chegue!" E lá estava submersa – como em tantas outras ocasiões - a resposta na pergunta: "Aí está: precisamente porque cá ando a flutuar, quero ir lá pôr os pés na terra!"

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Aos mais ricos ou aos mais optimistas, mas impreterivelmente "curiosos do futuro", sugiro uma “viagem” ao http://www.caminhodasestrelas.com/

24 setembro, 2007

Aristóteles terá dito:
“É o acaso que nos dá a família, mas somos nós que escolhemos os amigos.

Isto demonstra o inexcedível valor que um amigo tem para nós”.
Tenho um Amigo de quem eu gosto muito.
Um amigo que para mim é Grande.
Grande por contraste. Porque marca diferença.
Grande porque ocupa muito espaço no coração.
Porque é amigo na hora certa, o que quer dizer Sempre.
Porque é desmedido, sem reservas.
É norte. É porto seguro. É solidez.
Grande porque aperfeiçoa. Enriquece. Tranquiliza.

A nossa amizade é grandiosamente simples e simplesmente grande!
O que quer dizer que é coisa muito séria!



Toma lá o sorriso que me pediste esta manhã!
É saber que estás tão perto e, magicamente, tudo parece mais fácil!

18 setembro, 2007

Combinações Perfeitas 2 - Em jeito de homenagem

Pavarotti, Bono... e um pedido de paz!
Há vozes que perdurarão sempre...
Há vidas que se transformam em eternidade...Estes senhores são imortais!

 

16 julho, 2007

Combinações Perfeitas 1

As vozes de Vanessa da Mata e Ben Harper,
sinal evidente de que a distância física não interfere na sintonia...
Vanessa cantou ao telefone, o produtor de Ben gostou, mostrou a Ben, adorou... depois cada um gravou a sua parte "em casa" e logo misturaram-se, neste perfeito equilíbrio...
É só isso / Não tem mais jeito / Acabou, boa sorte
Não tenho o que dizer / São só palavras / E o que eu sinto /
Não mudaráTudo o que quer me dar / É demais / É pesado / Não há paz
Tudo o que quer de mim / Irreais / Expectativas / Desleais
(...)

There are so many special people in the world
so many special people in the world...

Now we're Falling into the night
Um bom encontro é de dois



28 junho, 2007


Comprei uma berg... ena!
Capacete, luvas, cronometro digital... ena!
'Tou pronta. Agora, sim, ninguém me segura...!

26 junho, 2007

do avesso

"A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás p'ra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, livrarmo-nos logo desse assunto. Daí viver num asilo, até ser chutado de lá p'ra fora por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar.
Então trabalha-se 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar a reforma. É então que se curte tudo, bebe-se o bastante, fazem-se festas e prepara-se p'ra faculdade.

Vai-se p'ro colégio, tem-se várias nam
oradas, vira-se criança, não se tem nenhuma responsabilidade, fica-se um bebezinho de colo, volta-se p'ro útero da mãe, passa-se os últimos nove meses de vida flutuando …
...e termina tudo com um óptimo orgasmo! Não seria perfeito?"

Charles Chaplín, A Vida ao Contrário

25 junho, 2007

"Certas mulheres usam o silêncio como quem veste de preto. Os homens aproximam-se daquele silêncio, a medo, num lento cerco, da mesma forma que alguém se aproxima de um abismo. Alguns aproximam-se demasiado e caem, e nunca mais se sabe deles (...).
Os homens olham para as mulheres caladas e ficam a imaginar o que se esconde por detrás daquele silêncio que lhes cai tão bem. Imaginar, como se sabe, é um exercício perigoso. É muito fácil acreditar no que imaginamos. É muito difícil deixar de acreditar (...)"


Faíza Hayat, in xis.público.pt

Do outro lado, há quem se agarre à objectividade, com a mesma firmeza com que as crianças se agarram aos cobertores...

18 junho, 2007

Quero o meu avesso

Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade.
Escolho os meus amigos não pela pele nem outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito ou os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero o meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco!
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos, nem chatos.
Quero-os metade infância e a outra metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto.
E velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos,
nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão estéril.

Oscar Wilde

13 junho, 2007

Há palavras que não me saem da cabeça...

Iustração: Joao Vaz de Carvalho

algumas que não ouvi... tantas que nunca disse...

05 junho, 2007

Mais do que CONVENIENTE ver, se habita o planeta Terra…

Dia Mundial do Ambiente

Celebrado como uma obra cult no último Festival de Cinema de Cannes, “Uma Verdade Inconveniente” faz timidamente pela sobrevivência do planeta o que os media poderiam fazer numa escala gigantesca, de que nenhum filme é capaz. Desperta a consciência para a iminência da extinção da raça humana, que até bem recentemente os cientistas só esperavam para os próximos milhares de anos. Mostra que a qualidade da nossa vida no planeta vai piorar na semana que vem, e no próximo ano, e todos os dias. Essa não é uma invenção do protagonista – é um consenso científico.

Com compreensão, inteligência e esperança, “Uma Verdade Inconveniente” traz-nos os argumentos persuasivos de Al Gore, que nos explicam que já não podemos olhar para o problema do aquecimento global como uma questão política, mas sim como o maior desafio global que teremos de enfrentar.

Depois de ver este documentário qualquer um de nós dificilmente vai dormir sem se perguntar o que pode fazer para salvar o planeta!

A Humanidade está a repousar numa bomba relógio!

Tic Tac Tic Tac Tic Tac …


Raio-X
AN INCONVENIENT TRUTH DAVIS GUGGENHEIM 

Género: Documentário
Duração: 100 min.
Elenco: AL GORE
Direcção:

02 junho, 2007

Flamenco

Não tenho dúvidas. Noutra encarnação – a ter acontecido - fui gitana.
A minha paixão pelo Flamenco não é um simples gosto musical, a avaliar pelo modo como compulsivamente me descalço, faço espaço, vibro e me comovo com o som das palmas e da guitarra...
Na realidade não se sabe ao certo a origem do flamenco. Sabe-se que é fruto de uma miscelânea de elementos árabes, indianos e ciganos, entre outras ascendências orientais. Mas a presença da influência cigana é inquestionável.
O flamenco tem raça! Mais do que um estilo de música, é uma atitude, uma manifestação do interior, de dimensão incalculável... Um destrancar sentimentos e emoções aprisionadas... A não ser assim, como explicar tanto prazer e emoção numa dança?... senão pela perfeita simbiose entre corpo e alma? É esse o mistério do flamenco.


A minha rendição ao flamenco devo-a a um professor residente naquele que é considerado o seu berço: Andaluzia. Teria ele aproximadamente uns 60 anos e dizia ser um amante do flamenco "desde que me acuerdo poder escuchar". Levou-me umas quantas vezes a Sacromonte, em Granada, onde é possível ver espectáculos dentro das cavernas onde os antigos ciganos habitavam (La Cava de los Gitanos). Recordo a primeira vez que fui e de como fiquei estarrecida, perfeitamente assombrada com a voz, a cor, o movimento... como se ali estivesse concentrada vida, no sentido mais completo da palavra...

"Y ser flamenco es otra cosa:
es tener otra carne, alma, pasiones, piel, instintos y deseos;
es otro ver el mundo, con sentido grande;
el si no en la conciencia,
la música en los nervios;
fiereza independiente,
alegría con lagrimas

y odiar lo rutinario,
el método que castra,
convertir en un arte sutil
y en libertad a la vida..."
(Tomás Borrás, 1936)
Viver o flamenco é algo inimaginável. Apaixonante. Caliente. Sensual.
E ainda nem sequer estou a falar do Joaquín Cortez...

30 maio, 2007

Insólitos em 24 horas

Insólito 1
Ontem por volta d’esta hora recebo um sms de um tipo que eu não faço a mais pálida ideia quem seja, assinado Vitor M., que atirou assim de chofre um curto “Amo-t”. O mais curioso é que tinha o nome gravado no tlm... e de nome Vítor, assim de repente, só me ocorre o Vítor Hugo, dos Miseráveis, ou o Padre Vítor Melissias... Será?!

Insólito 2
Perplexidade das perplexidades: hoje de manhã, alguém que não conheço deixou-me pago o pequeno-almoço num sítio onde nunca vou... Horatio, do CSI, se me estás ouvir, dá-me uma pista... vá lá...

Insólito 3
Hoje à tarde fui à consulta de ginec e o dr., passo a citar, diz-me “vou ter que lhe mandar fazer uma ecografia mamária, porque não consigo avaliar as suas mamas... estão muito tensas” Tensas...?! Tipo em stress...?! Será que posso usar esta informação médica pra justificar férias?!
Pergunta aos implicadosSe não for pedir-vos muito... dá p’ra serem um bocadinho mais explícitos, óstias...?!

28 maio, 2007

Fecho os olhos.
Imagino...
O cenário é azul. Céu. Mar.
Ninguém.
Apenas eu, a boiar em água morna.
Feliz por aborrecer-me
com a calma daquele mundo,
por mim parado.
Em que pensa uma estrela-do-mar...?

13 maio, 2007

Eu estive lá!


Pela primeira vez no nosso país, e a marcar o iníco da digressão «25 Live Tour», George Michael deu ontem um concerto emblemático no Estádio Cidade de Coimbra, que se transformou num espaço de emoções e revivalismo para os cerca de 28 mil fãs presentes.
25 anos de carreira perfeitamente assinalados num espectáculo que reuniu tudo o que esperava: a voz inconfundível, intocável, dotada de volúpia e sensualidade, o estilo de dança tão caracteristicamente seu, um alinhamento dos maiores êxitos alternando momentos intimistas com outros de grande expansividade, a combinação do som, vídeo e luz tão militarmente sincronizada a fazer jus ao perfeccionismo quase obsessivo do músico, a contínua aproximação ao público... tudo a resultar num pop extremamente elegante, numa performance reveladora da maturidade musical e artística do cantor britânico que já vendeu mais de 80 milhões de discos!
Assiti ao espectáculo como quem viaja pelo seu próprio imaginário, e em alguns momentos - e apesar do êxtase já tão reconhecido ao público português - achei que só eu ali estava, a ouvi-lo, a saborear, a digerir cada palavra...

Kindness in your eyes
I guess you heard me cry
You smiled at me
Like Jesus to a child
...
When you find a love
When you know that it exists
Then the lover that you miss
Will come to you on these cold, cold nights
...
So the words you could not say
I'll sing them for you
And the love we would have made
I'll make it for two
For every single memory
Has become a part of me
You will always be...


George Micahel continua inabalável... mas continua a abalar!

09 maio, 2007

Chorar é apenas uma forma simples e natural de expressão. Podia ter gritado, partido aquelas chinesices das trocas de prendas, pontapeado o gato da vizinha ou devorado o stock de chocolates calóricos da prateira do meio. Mas, contrariamente a muitas outras vezes em que uma corrida - "no sentido contrário" - tem poder de cura capaz de aligeirar, atenuar, amortizar, ontem chorei. Sem opção. A pena, de não caber no peito, procurou - sem êxito -encontrar defesa nas lágrimas...
Dizem que chorar faz bem, que desanuvia, esvazia a emoção, blá, blá.... A mim provocou-me uma insuportável dor de cabeça, capaz até de me fazer chorar novamente! Não fosse o apelo da quebra de rotina do dia de hoje e seguramente ainda estaria presa à almofada a lagrimar, desde ontem, o insustentável golpe de uma amizade-amada, de um amor-amigo. Pela perda em si mesmo. Pela brutalidade da lesão no ad-eternum adquirido. Pelo vazio que se instala quando alguém decide morrer em nós... Acho que é a minha primeira morte-matada dentro do coração. Aí, onde as leis da física parecem não se aplicar, porque estando agora mais vazio, pesa muito mais...
Como expressou um dia o poeta Valter Hugo Mae, estou mais pobre porque "me sinto tão severamente roubada. como se me tivessem vindo roubar a casa"...

08 maio, 2007

POR - TU - GAL! POR - TU - GAL!

Sempre achei imensa piada às críticas mordazes e irónicas ao “Portugal em que vivemos” consumadas por Miguel Esteves Cardoso desde o tempo d’ A Causa das Coisas, uma compilação de crónicas de escárnio e mal-dizer acutilante, que escreveu para o Expresso na década de 80, nas quais discorre sobre aquelas coisas que todos observamos, pensamos, mas raramente exteriorizamos, satirizando até ao mais ínfimo pormenor os hábitos e as características dos portugueses, com um humor cortante e irresistível.

Ontem – depois de encontrar uma alusão ao MEC num genial “estudo” caricaturado sobre a espécie conhecida como “portuga”, definida pelos próprios autores – uns alunos da Universidade do Porto - como “uma espécie complexa que se manifesta através de diferentes códigos”, fui procurar “o livro lilás”, recluso entre prateleiras e caixotes há já alguns anos. Relidas algumas das crónicas surpreendo-me ao perceber que, embora os textos se refiram à década de 80, não perderam ainda actualidade. Ora isto reclama um SIM a uma das seguintes interrogações: Perpetuamos uma paragem no tempo? ou É tudo uma questão de personalidade vincada…?

O dito "estudo"- Portugal de A a Z:

06 maio, 2007

Obrigada Mãe,
por esse amor inquestionável,
esse amor sem demandas,
incontestável, inesgotável
- o único amor assim!

04 maio, 2007

Arte e Direitos Humanos

Hoje, 3 de Maio, é Dia Internacional da Liberdade de Imprensa. Dezenas de jornalistas - assim como políticos, escritores, artistas e outros - seguirão prisioneiros por terem exercido o direito a expressar a sua opinião. A Amnistía Internacional está decidida a combater para que ninguém possa amordaçar as suas palavras.
Para ajudar nesta missão, um grande número de artistas de reconhecido prestigio mostram o seu compromisso doando as suas obras a "Arte Implicado", uma colecção de arte gráfica de grande qualidade. Os lucros das vendas revertem totalmente a favor da Amnistia Internacional - uma organização política e economicamente independente, que não aceita fundos de governos nem de partidos políticos.

Implica-te, visitando a exposição em http://www.es.amnesty.org/arte/

29 abril, 2007

Descomplicar, eis a questão!

"Se interpretados de modo catastrófico,
os insucessos levam a pessoa a focar-se no fracasso"
Pedro Nobre, Psicólogo

Assim entendido, o optimismo alimentar-se-á não tanto do balanço de sucessos obtidos, mas, sobretudo, da aceitação e gestão positiva das contrariedades e malogros que, inevitavelmente, fazem parte de qualquer história... do confiar que existirá sempre uma saída, uma solução para quem acredita, espera e se lança na procura de ser, estar e fazer cada vez melhor...

"O futuro da pop passou por aqui"...

... escreve a Visão deste mês ainda propósito da passagem de Patrick Wolf por cá. A entrevista confirma a minha impressão: a de estar na presença de um verdadeiro talento musical! O brilhantismo revelado em Wind in the wire, "um disco invulgarmente orgánico (...) aclamado pela crítica e revelador de uma invulgar maturidade musical", é confirmado com o novo The Magic Position, um albúm classificado de "magnífico" pela BBC e de "brilhante" pela Rolling Stone, no qual Patrick, para além de cantar, toca ainda 17 diferentes instrumentos!
Ficamos ainda a saber donde saíram aquelas fabulosas bermudas tigress que usou nos dois concertos (Lisboa e Braga) e que padronizaram na perfeição a imagem de um verdadeiro animal de palco, simultaneamente felino e selvagem: a bagagem de Wolf ficou perdida algures entre Londres e Lisboa... depois do desespero, a opção: tarde de compras na loja feminina Pimkie! Nada a estranhar de quem diz "Não sou muito pela simplicidade"...

25 abril, 2007

25 DE ABRIL SEMPRE: a memória contra o esquecimento!


No dia 25 de Abril de 1974, eu não ouvi, vinte minutos depois da meia-noite, a «Grândola» do Zeca na Rádio Renascença, o som das botas a marchar, aqueles versos libertadores («o povo é quem mais ordena/dentro de ti ó cidade»), o sinal de que algo se iria romper na ordem cinzenta de um país sufocado, a certeza de que o fruto podre de um poder podre haveria finalmente de cair por terra. (…) No dia 25 de Abril de 1974, eu não vi os soldados da Escola Prática de Cavalaria de Santarém a ocuparem o Terreiro do Paço, nem a marcha das chaimites através das ruas da cidade, nem o cerco ao Quartel do Carmo, nem Salgueiro Maia, de megafone em punho, apelando à rendição de Marcello Caetano, nem o Presidente do Conselho a exigir a presença de um oficial de patente «não inferior a coronel», nem a chegada de Spínola (altivo como sempre, de monóculo e pingalim), nem a espera tensa da multidão que ali se havia juntado, nem o silêncio que precede os grandes momentos da História (…) No dia 25 de Abril de 1974, eu não andei pelas avenidas de Lisboa, a saborear letra a letra, sílaba a sílaba, a palavra Liberdade. Não ofereci cigarros aos soldados, não pedi um cravo para pôr na lapela, não fotografei rostos eufóricos, não fiquei rouco de cantar palavras de ordem, não subi às estátuas para contemplar os rios de gente, não guardei na memória, minuciosamente, cada segundo daquele que já era o «dia inicial, inteiro e limpo», cantado mais tarde pela Sophia (…) (José Mário Silva, in Jornal de Letras, Abril/04).


No dia 25 de Abril de 1974, eu não escutei, nem vi, nem fiz nada disto por uma razão muito simples: ainda não andava por cá…! Como notou Umberto Eco, n’ O Pêndulo de Foucault, "perdi as grandes ocasiões porque chegava demasiado cedo, ou demasiado tarde, mas a culpa foi da minha data de nascimento". Acaso virá daí a sensação que sempre tive de não ter nascido na data exacta… Quiçá se tivesse nascido 1 ano e oito meses antes, não ao som do Noite Feliz, mas da Grândola ou dos gritos do povo em elevação, trocando a doutrinação da paz pela revolução feita da mesma, achasse agora ter a idade certa! Não teria ainda memória, mas podia presumir que estive lá, na mais bela das revoluções!
A minha memória do 25 de Abril fui roubando-a à memória dos que lá estiveram, erigida, então, pelas palavras e imagens dos outros, pelos seus olhos a brilhar de nostalgia. "Eu não fiz, eu não vi, eu não escutei. E tenho pena. É como se me tivessem roubado aquele dia de puro assombro." Ainda assim, emociona-me ouvir os relatos dos que lá estiveram, e sobre aqueles que, com coragem, sacrifício e esperança, construíram durante anos o que viria a ser o 25 de Abril de 1974. Aqueles que foram Abril antes de Abril!

23 abril, 2007

Dia do Livro

Homenagem ao livro,
porque gosto, sobretudo, de viajar no sofá,
sem ter limites de partida, nem de chegada,
sem sequer saber p'ra onde vou,
e, ainda assim, sem pressa de voltar!

20 abril, 2007

A hora do lobo

Patrick Wolf – já alcunhado de o miúdo prodigio ou o prodígio irlandês - é um músico virtuoso: compõe todas as suas músicas, escreve todas as letras e toca magistralmente violino, viola, ukulele barítono, ukulele soprano e piano. E como se não bastasse é dono de uma voz incrivelmente poderosa.
No trabalho de Wolf a experimentação é a tónica. A sua música é uma mescla de chamber pop, folk e toda a espécie de ruídos e ritmos electrónicos, que resulta numa sonoridade muito própria, densa e emotiva, com camadas de voz penetrantes, materializada em excelentes interpretações e performances.
Wind in the Wires (2005)

Este é o álbum que tenho - o segundo de PW - e que ouço incessantemente.
Hoje fui ouvir o seu mais recente trabalho ao Theatro Circo - The Magic Position - que conta com participações tão ilustres como Marianne Faithfull, Edward Larrikin e elementos da Orquestra Sinfónica de Viena. Um álbum igualmente digno de audições viciantes e que vem confirmar indubitavelmente o seu talento!
Wolf conquistou o público, com uma pose arrojada – entre o infantil e o libidinosa - e uma voz simultaneamente segura e perturbante, impossível de transparecer a sua a tenra idade.
O público, transportado entre espasmos sonoros, não se conteve sentado... e foi ao rubro! O Theatro Circo ficou momentaneamente convertido numa espécie de disco underground...
[Concerto no Lux - Lisboa, 17 Abril 07]

Não é à toa que a Rolling Stone escreve que "não há nele nada que não seja remotamente brilhante" e o New Musical Express não hesita em apontá-lo como o digno sucessor de David Bowie. A mim também me fez lembrar o Bowie na sua fase de maior excentricidade. Houve momentos em que me lembrei dos Erasure. Em alguns registos pareceu-me o Nick Cave. Noutros o Jeff Buckley. E inúmeras vezes a Matt Johnson, dos The The.
Comparações à parte, a verdade é que não abundam músicos tão jovens com tanta maturidade. Patrick Wolf é um dos talentos mais aplaudidos da música que actualmente se faz no Reino Unido. Muito merecidamente!


Hoje pude, finalmente, vê-lo ao vivo. Uma figura imberbe, com uma actuação sem momentos mortos, envolta numa sonoridade verdadeiramente arrebatadora!
Depois disto... esta noite é insónia certa!


Listen those beautiful versions of two of my favourite Patrick Wolf songs:
Wind in the wires -
http://www.youtube.com/watch?v=M7ukDMnTfkE

Teignmouth -
http://www.youtube.com/watch?v=JPItlfwPJxg
for more:http:///www.patrickwolf.com/

16 abril, 2007

Quando "menos" é muito "mais"...

Um professor de filosofia entra na sala de aula, põe a cadeira em cima da mesa e escreve no quadro: "Provem-me, por escrito, que esta cadeira não existe."
Apressadamente, os alunos começam a escrever longas dissertações sobre o assunto.
No entanto, um dos alunos escreve apenas duas palavras numa folha de papel e entrega-a ao professor. Este, quando a recebe, não conteve um largo sorriso, depois de ler: "Que cadeira?"
A simplicidade a favor da inteligência!

15 abril, 2007

“O meu perfume sou eu!”

Um perfume não é apenas um aroma. É, acima de tudo, um código de emoções, uma marca íntima.
A informação odorífica que recebemos vai directamente para a área límbica do cérebro, uma área complexa que contém áreas secundárias, algumas delas especificamente ligadas à emoção e à memória, e isso explica como o olfacto tem o poder de despertar lembranças e sensações no corpo e na alma. Por isso, as memórias que incluem lembrança de odores têm tendência para ser mais intensas e emocionalmente mais fortes. Também por isso, um odor que tenha sido encontrado só uma vez na vida pode ficar associado a uma única experiência e então a sua memória pode ser evocada automaticamente quando voltamos a reencontrar esse odor.
O olfacto é talvez o nosso sentido mais intenso, mais emocional. É o sentido da imaginação, das surpresas subtis, do êxtase silencioso.


E se alguém te dissesse que podes ter um perfume criado à tua medida e que traduza a tua personalidade?

A partir de 8 mil euros [!] já é possível aceder ao universo das fragâncias exclusivas! Prestigiadas marcas como Guerlain, Cartier e Jean Patou oferecem [?!] a possibilidade de teres uma jóia olfactiva concebida especialmente para ti.
Tudo começa com um encontro com o criador do perfume, onde se desbravam os gostos, memórias e estilo de vida - para determinar o perfil da pessoa em concreto -, e se passeia, durante horas, por inúmeros cenários ricos em odores (floristas, restaurantes, parques...) - de modo a identificar preferências. Depois, o trabalho é em laboratório. A meio do processo são enviadas amostras de forma a apurar preferências, podendo a fórmula final demorar um ano a ser concebida.
O resultado é a tua essência de vida num raro e luxuoso frasco em cristal de Baccarat. E a vanglória de, quando alguém te perguntar que perfume estás a usar, poderes sumptuosamente responder: “O meu!”

30 março, 2007

Apto para consumo!












Uma série a não perder…
Dois nomes e as devidas honras:

David Shore

Fabuloso guionista, actualmente reconhecido pela sua mais famosa criação: o taciturno mas infalível Gregory House, um médico brilhante, com virtudes preditivas, e ao mesmo tempo, a personificação da sinceridade brutal, do humor sarcástico ao mais alto nível.

Hugh LaurieEsse reconhecimento já lhe valeu um Emmy para melhor actor dramático e dois Globo de Ouro consecutivos, entre muito outros prémios.

O actor e a sua extraordinária interpretação!


A interpretação é feita com tamanha mestria, que se torna impossível imaginar outro no lugar de House! Laurie dá uma dimensão quase heróica à personagem, apesar da sua aparente indiferença com o sofrimento, da facilidade com que aponta e critica, da ausência de ligação com os outros, do "what a hell" para o que pensam dele… Um perfeito sacana envolto numa estranha dimensão humana, que não se vê mas intui-se... e daí a força e carisma da personagem.
A audição que Laurie enviou para o casting que Shore promoveu para encontrar o actor que daria vida à personagem que parecia impossível de interpretar, foi gravada, nada mais nada menos que… numa casa de banho de um hotel em África! 'Tá tudo dito....


Uma nota para a música da serie: verão instrumental do tema "Teardrop", dos fantásticos Massive Attack.

28 março, 2007

E por falar em sonhar…
Ontem voltei a vê-lo… e ao vê-lo, impossível não o desejar!
Recordei-me de quando o tive por um dia inteiro, já lá vão uns anos…
E percebi que, afinal, há paixões que nunca morrem...!
saabía–me tão bem...!
"Aqueles que sonham de dia
são conscientes de muitas coisas
que escapam aos que sonham somente à noite."
Edgar Allan Poe

Fica sempre bem parafrasear um poeta, romancista e crítico literário...
Assim que, de hoje em diante, usarei esta deixa como alibi das minhas constantes e crescentes viagens lunares em pleno dia de sol...
Se a memória me falhar - coisa que espero contrariar com a toma das multivitaminas -, poderei sempre dizer, num estilo mais classe turística: "Deixa-me estar, que estou a consciencializar-me!"

24 março, 2007

Light a candle of support

Está a ser feita uma petição on-line para acabar com os sites de pornografia infantil. A única coisa que nos pedem é para acender uma vela virtual. O objectivo de acender um milhão de velas em 4 meses foi cumprido em 60 dias.
Esta petição, de natureza simbólica, servirá para fazer pressão sobre os governos, políticos, instituições financeiras, companhias de tecnologia, serviços de internet, entre outros organismos, no sentido de se unirem e trabalharem em conjunto pela erradiação da viabilidade comercial da pornografia infantil.
em http://www.lightamillioncandles.com/

23 março, 2007

ando mesmo cheia de sono...

... pra me esquecer que no 21 também se celebrou o Dia Mundial do Sono. Imperdoável, eu adepta - quase profissional, não fosse a insónia aparecer de vez em quando - desse desporto magnífico, não ter ido pr'as ruas gritar e defender o direito a "sonar" a qualquer hora e em qualquer lugar!
Suplico remissão...

22 março, 2007

21 de Março

Dia Mundial da Poesia / Dia Mundial do Teatro / Dia Mundial da Árvore / Dia Mundial da Infância / Dia Internacional Contra a Discriminação Racial
Um poema e três imagens, em jeito de homenagem e reconhecimento àqueles que ontem, hoje e amanhã contribuem para que a cultura e os mais altos valores da humanidade um dia não precisem de ser lembrados...

Por muito tempo achei
que a ausência era falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada,
aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
de Carlos Drummond de Andrade
Teatro Iberico. Foto de Vitor Gordo

Different eyes... the same dreamsDifferent skin... the same feelings
Childreen laugh out as loud despite the differences
A Árvore da Vida, de Gustav Klimt

18 março, 2007

António Lobo Antunes, O Escritor


O escritor que diz, a propósito da sua escrita, "Eu escrevo livros para corrigir os anteriores. E ainda tenho muito para corrigir...", recebeu no passado dia 15 de Março o mais importante galardão literário da língua portuguesa: o Prémio Camões 2007.
Merecido. Mais do que merecido. Já há muito devido...
Lobo Antunes, um dos principais nomes da literatura portuguesa contemporânea (talvez o maior autor português vivo!), tem 26 obras publicadas e traduzidas em mais de 20 países.
No Segundo Livro de Crónicas, o ex-psiquiatra afirma que a única forma de abordar os romances que escreve é apanhá-los do mesmo modo que se apanha uma doença. Daí o estilo virulento, delirante, lírico e raivoso, poético e desesperado da sua escrita.
Avesso a entrevistas, mas polémico nas afirmações ("Os leitores são umas putas, amam-nos e depois deixam-nos"!), Lobo Antunes é uma personagem ímpar no mundo da escrita em Portugal e no estrangeiro, recolhendo entre os leitores e a crítica internacional uma aceitação tal, que o torna um dos principais candidatos de língua portuguesa ao Nobel
.
"A gente esconde muita coisa para pentear a imagem, mas o público não é parvo, sabe perfeitamente que os escritores são todos narcisistas: o grande sonho de todos, eu incluído - e não só dos escritores mas de toda a gente -, era sermos amados por toda a gente."
Dá que pensar... A ser assim, fingem os que dizem não se importar que os outros não se importem deles...?! Falseiam os que se atestam indiferentes à indiferença de outros...?! Adulteram os que afirmam não pensar no que pensam deles...?! eu incluído...?!

17 março, 2007

Brazilian Girls


Desenganem-se os que imaginam garotas a cantar ou a tocar música brasileira...
Chamam-se Brazilian Girls mas não são brasileiros, e girl só há mesmo uma - a vocalista Sabina Sciubba - e é natural de Roma!
Publicidade enganosa?! Os enganados agradecem...
Este extraordinário quarteto Nova-Iorquino - intencionalmente difícil de definir -, mistura house com reggae, jazz, electrónica, bossa nova, samba, pop, dub e muito mais num cocktail que faz abanar qualquer amante de boa música.
A referência ao Brasil vai além do nome do grupo, e aparece também na influência da música brasileira, especialmente a bossa nova e artistas como Chico Buarque, João Gilberto, Lenine, Novos Baianos e Joyce.
Outra característica da banda é o poliglotismo da vocalista Sabina Sciubba, que canta em cinco línguas: inglês, espanhol, francês, alemão e italiano. E é possível que em trabalhos futuros venha acrescer uma sexta: o português! A verdade é que Sabina também sabe falar a português, embora revele que ainda não se sinta segura o suficiente para compor na língua de Camões.
O álbum de estreia, “Brazilian Girls”, lançado em 2005, foi alvo de críticas efusivas e os fortes espectáculos ao vivo ajudaram a reunir um grande número de fãs. O single “Pussy” pôs o Sudoeste a dançar em 2006. Talk to la Bomb é o segundo álbum da banda e confirma o que ficámos a saber com a edição do disco de estreia.
Em 2007 esperamos novas surpresas... Em português, quem sabe?!
E a acrescentar a tudo isto um dos meus poemas favoritos, de um dos meus poetas de eleição, magistralmente cantado e tocado pela banda:

Me gustas cuando callas porque estás como ausente y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca. / Parece que los ojos se te hubieran volado / y parece que un beso te cerrara la boca.
Como todas las cosas están llenas de mi alma / Emerges de las cosas, llena del alma mía. / Mariposa de sueño, te pareces a mi alma, / y te pareces a la palabra melancolía.
Me gustas cuando callas y estás como distante. / Y estás como quejándote, mariposa en arrullo. / Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza: / déjame que me calle con el silencio tuyo.
Déjame que te hable también con tu silencio / claro como una lámpara, simple como un anillo. / Eres como la noche, callada y constelada. / Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.
Me gustas cuando callas porque estás como ausente. / Distante y dolorosa como si hubieras muerto. / Una palabra entonces, una sonrisa bastan. / Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.
Tudo indica que o tempo
vai melhorar...

16 março, 2007

killing time

hoje foi mais ou menos assim...
ontem também...
anteontem...
e o outro dia...
sou uma preguiçosa do acordar.
convicta e orgulhosa amante do sono,
soneca, cochilo, sesta, dormida, bocejo e demais variantes.
muito assumidamente!

12 março, 2007

Introspection

Fechaste as portas do teu mundo
Na esperança dele se encontrar
Vais contando o tempo quase ao segundo
Parece não querer passar
Fazes de conta que está tudo bem
E andas às voltas quando estás a sós
Gritos mudos que só tu entendes
No profundo silêncio
Que é a tua voz
Não precisas de te esconder
Ninguém te vai encontrar
O que está escrito na tua pele
Só tu para o decifrar...
(...)
Pele, PN

09 março, 2007

Cat Power... e que power!

Cat Power é um grupo, mas que possui apenas uma integrante: a cantora, compositora e instrumentista Chan Marshall. Nos seus espectáculos costuma convidar alguns músicos, mas o trabalho é predominante solitário.
O som que Cat Power faz é intimista. A voz chega a beirar a desafinação. Sussurros, rouquidão e agudos ...


Vale a pena espreitar o último trabalho de originais, editado no início de 2006: The Greatest.
Em www.catpowerthegreatest.com.

08 março, 2007

Dia Internacional da Mulher

Será mesmo necessário?!
A ser, nunca o deveria...

Nota histórica:
A 8 de Março de 1857, operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, como forma de reivindicação da redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio. 130 morreram queimadas. Em 1903, profissionais liberais norte-americanas criaram a Women's Trade Union League. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher".

07 março, 2007

"É isso que sou agora: um novelo impossível de desembaraçar! Tal como a roupa na centrifugadora, dou asfixiantes voltas sem cessar em torno do vazio que se instala no meu interior num turbilhão, enrugada, encolhida. Como posso sair daqui? Quero ondular prolongadamente ao vento, respirar ar fresco, olhar para o horizonte..."

25 fevereiro, 2007

Filmes "Sim, gostei e repeti!"

O Fiel Jardineiro é uma brilhante adaptação cinematográfica de uma poderosa história de amor (escrita por John Le Carré), em que África surge como pano de fundo em todo o seu esplendor e miséria.
Tal como em Cidade de Deus, Fernando Meirelles, adopta uma visão estética «suja» que casa bem com o tema da desumanidade e da corrupção que o filme explora, e recorre mais uma vez a uma fotografia saturada, ao uso da câmara ao ombro e a uma abordagem quase documental dos espaços, criando assim uma visão crua e orgânica desta realidade.
Em The Constant Gardener, Meirelles filma, num estilo fragmentado e impressionista, a grande miséria terceiro-mundista ao apontar o olhar sobre a realidade perpetuada pelo primeiro mundo: a hipocrisia e corrupção moral da diplomacia Europeia ao serviço dos superiores interesses económicos. Sem véu nem camuflagem!
No entanto, e apesar da sua estrutura de thriller político, o Fiel Jardineiro é, acima de tudo, uma comovente história de amor e entrega, no sentido lato: o amor por uma mulher, por uma causa e por um continente. Um filme intenso, pois...


Ralph Fiennes é soberbo (sempre foi, sempre o será!)...
Rachel Weisz surpeendente...
A fotografia é verdadeiramente deslumbrante...
A banda sonora avassaladora...
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Ficha Técnica: Título Original: The Constant Gardener / Realização: Fernando Meireles / Intérpretes: Ralph Fiennes, Rachel Weisz / Ano:2005

Nomeações para 4 Óscars:Melhor atriz secundária / Melhor argumento adaptado / Melhor montagem / Melhor banda sonora