29 abril, 2007

Descomplicar, eis a questão!

"Se interpretados de modo catastrófico,
os insucessos levam a pessoa a focar-se no fracasso"
Pedro Nobre, Psicólogo

Assim entendido, o optimismo alimentar-se-á não tanto do balanço de sucessos obtidos, mas, sobretudo, da aceitação e gestão positiva das contrariedades e malogros que, inevitavelmente, fazem parte de qualquer história... do confiar que existirá sempre uma saída, uma solução para quem acredita, espera e se lança na procura de ser, estar e fazer cada vez melhor...

"O futuro da pop passou por aqui"...

... escreve a Visão deste mês ainda propósito da passagem de Patrick Wolf por cá. A entrevista confirma a minha impressão: a de estar na presença de um verdadeiro talento musical! O brilhantismo revelado em Wind in the wire, "um disco invulgarmente orgánico (...) aclamado pela crítica e revelador de uma invulgar maturidade musical", é confirmado com o novo The Magic Position, um albúm classificado de "magnífico" pela BBC e de "brilhante" pela Rolling Stone, no qual Patrick, para além de cantar, toca ainda 17 diferentes instrumentos!
Ficamos ainda a saber donde saíram aquelas fabulosas bermudas tigress que usou nos dois concertos (Lisboa e Braga) e que padronizaram na perfeição a imagem de um verdadeiro animal de palco, simultaneamente felino e selvagem: a bagagem de Wolf ficou perdida algures entre Londres e Lisboa... depois do desespero, a opção: tarde de compras na loja feminina Pimkie! Nada a estranhar de quem diz "Não sou muito pela simplicidade"...

25 abril, 2007

25 DE ABRIL SEMPRE: a memória contra o esquecimento!


No dia 25 de Abril de 1974, eu não ouvi, vinte minutos depois da meia-noite, a «Grândola» do Zeca na Rádio Renascença, o som das botas a marchar, aqueles versos libertadores («o povo é quem mais ordena/dentro de ti ó cidade»), o sinal de que algo se iria romper na ordem cinzenta de um país sufocado, a certeza de que o fruto podre de um poder podre haveria finalmente de cair por terra. (…) No dia 25 de Abril de 1974, eu não vi os soldados da Escola Prática de Cavalaria de Santarém a ocuparem o Terreiro do Paço, nem a marcha das chaimites através das ruas da cidade, nem o cerco ao Quartel do Carmo, nem Salgueiro Maia, de megafone em punho, apelando à rendição de Marcello Caetano, nem o Presidente do Conselho a exigir a presença de um oficial de patente «não inferior a coronel», nem a chegada de Spínola (altivo como sempre, de monóculo e pingalim), nem a espera tensa da multidão que ali se havia juntado, nem o silêncio que precede os grandes momentos da História (…) No dia 25 de Abril de 1974, eu não andei pelas avenidas de Lisboa, a saborear letra a letra, sílaba a sílaba, a palavra Liberdade. Não ofereci cigarros aos soldados, não pedi um cravo para pôr na lapela, não fotografei rostos eufóricos, não fiquei rouco de cantar palavras de ordem, não subi às estátuas para contemplar os rios de gente, não guardei na memória, minuciosamente, cada segundo daquele que já era o «dia inicial, inteiro e limpo», cantado mais tarde pela Sophia (…) (José Mário Silva, in Jornal de Letras, Abril/04).


No dia 25 de Abril de 1974, eu não escutei, nem vi, nem fiz nada disto por uma razão muito simples: ainda não andava por cá…! Como notou Umberto Eco, n’ O Pêndulo de Foucault, "perdi as grandes ocasiões porque chegava demasiado cedo, ou demasiado tarde, mas a culpa foi da minha data de nascimento". Acaso virá daí a sensação que sempre tive de não ter nascido na data exacta… Quiçá se tivesse nascido 1 ano e oito meses antes, não ao som do Noite Feliz, mas da Grândola ou dos gritos do povo em elevação, trocando a doutrinação da paz pela revolução feita da mesma, achasse agora ter a idade certa! Não teria ainda memória, mas podia presumir que estive lá, na mais bela das revoluções!
A minha memória do 25 de Abril fui roubando-a à memória dos que lá estiveram, erigida, então, pelas palavras e imagens dos outros, pelos seus olhos a brilhar de nostalgia. "Eu não fiz, eu não vi, eu não escutei. E tenho pena. É como se me tivessem roubado aquele dia de puro assombro." Ainda assim, emociona-me ouvir os relatos dos que lá estiveram, e sobre aqueles que, com coragem, sacrifício e esperança, construíram durante anos o que viria a ser o 25 de Abril de 1974. Aqueles que foram Abril antes de Abril!

23 abril, 2007

Dia do Livro

Homenagem ao livro,
porque gosto, sobretudo, de viajar no sofá,
sem ter limites de partida, nem de chegada,
sem sequer saber p'ra onde vou,
e, ainda assim, sem pressa de voltar!

20 abril, 2007

A hora do lobo

Patrick Wolf – já alcunhado de o miúdo prodigio ou o prodígio irlandês - é um músico virtuoso: compõe todas as suas músicas, escreve todas as letras e toca magistralmente violino, viola, ukulele barítono, ukulele soprano e piano. E como se não bastasse é dono de uma voz incrivelmente poderosa.
No trabalho de Wolf a experimentação é a tónica. A sua música é uma mescla de chamber pop, folk e toda a espécie de ruídos e ritmos electrónicos, que resulta numa sonoridade muito própria, densa e emotiva, com camadas de voz penetrantes, materializada em excelentes interpretações e performances.
Wind in the Wires (2005)

Este é o álbum que tenho - o segundo de PW - e que ouço incessantemente.
Hoje fui ouvir o seu mais recente trabalho ao Theatro Circo - The Magic Position - que conta com participações tão ilustres como Marianne Faithfull, Edward Larrikin e elementos da Orquestra Sinfónica de Viena. Um álbum igualmente digno de audições viciantes e que vem confirmar indubitavelmente o seu talento!
Wolf conquistou o público, com uma pose arrojada – entre o infantil e o libidinosa - e uma voz simultaneamente segura e perturbante, impossível de transparecer a sua a tenra idade.
O público, transportado entre espasmos sonoros, não se conteve sentado... e foi ao rubro! O Theatro Circo ficou momentaneamente convertido numa espécie de disco underground...
[Concerto no Lux - Lisboa, 17 Abril 07]

Não é à toa que a Rolling Stone escreve que "não há nele nada que não seja remotamente brilhante" e o New Musical Express não hesita em apontá-lo como o digno sucessor de David Bowie. A mim também me fez lembrar o Bowie na sua fase de maior excentricidade. Houve momentos em que me lembrei dos Erasure. Em alguns registos pareceu-me o Nick Cave. Noutros o Jeff Buckley. E inúmeras vezes a Matt Johnson, dos The The.
Comparações à parte, a verdade é que não abundam músicos tão jovens com tanta maturidade. Patrick Wolf é um dos talentos mais aplaudidos da música que actualmente se faz no Reino Unido. Muito merecidamente!


Hoje pude, finalmente, vê-lo ao vivo. Uma figura imberbe, com uma actuação sem momentos mortos, envolta numa sonoridade verdadeiramente arrebatadora!
Depois disto... esta noite é insónia certa!


Listen those beautiful versions of two of my favourite Patrick Wolf songs:
Wind in the wires -
http://www.youtube.com/watch?v=M7ukDMnTfkE

Teignmouth -
http://www.youtube.com/watch?v=JPItlfwPJxg
for more:http:///www.patrickwolf.com/

16 abril, 2007

Quando "menos" é muito "mais"...

Um professor de filosofia entra na sala de aula, põe a cadeira em cima da mesa e escreve no quadro: "Provem-me, por escrito, que esta cadeira não existe."
Apressadamente, os alunos começam a escrever longas dissertações sobre o assunto.
No entanto, um dos alunos escreve apenas duas palavras numa folha de papel e entrega-a ao professor. Este, quando a recebe, não conteve um largo sorriso, depois de ler: "Que cadeira?"
A simplicidade a favor da inteligência!

15 abril, 2007

“O meu perfume sou eu!”

Um perfume não é apenas um aroma. É, acima de tudo, um código de emoções, uma marca íntima.
A informação odorífica que recebemos vai directamente para a área límbica do cérebro, uma área complexa que contém áreas secundárias, algumas delas especificamente ligadas à emoção e à memória, e isso explica como o olfacto tem o poder de despertar lembranças e sensações no corpo e na alma. Por isso, as memórias que incluem lembrança de odores têm tendência para ser mais intensas e emocionalmente mais fortes. Também por isso, um odor que tenha sido encontrado só uma vez na vida pode ficar associado a uma única experiência e então a sua memória pode ser evocada automaticamente quando voltamos a reencontrar esse odor.
O olfacto é talvez o nosso sentido mais intenso, mais emocional. É o sentido da imaginação, das surpresas subtis, do êxtase silencioso.


E se alguém te dissesse que podes ter um perfume criado à tua medida e que traduza a tua personalidade?

A partir de 8 mil euros [!] já é possível aceder ao universo das fragâncias exclusivas! Prestigiadas marcas como Guerlain, Cartier e Jean Patou oferecem [?!] a possibilidade de teres uma jóia olfactiva concebida especialmente para ti.
Tudo começa com um encontro com o criador do perfume, onde se desbravam os gostos, memórias e estilo de vida - para determinar o perfil da pessoa em concreto -, e se passeia, durante horas, por inúmeros cenários ricos em odores (floristas, restaurantes, parques...) - de modo a identificar preferências. Depois, o trabalho é em laboratório. A meio do processo são enviadas amostras de forma a apurar preferências, podendo a fórmula final demorar um ano a ser concebida.
O resultado é a tua essência de vida num raro e luxuoso frasco em cristal de Baccarat. E a vanglória de, quando alguém te perguntar que perfume estás a usar, poderes sumptuosamente responder: “O meu!”