29 novembro, 2006

[minhas] Novas da Velha



Recado da noite: Melhor que ter zoom... é ter pés! [by Pedro Guimarães]
Imagem da noite: O gato da Velha a esconder-se nos estojos das máquinas...
Opinião da noite: New tast... to soon to define... Mas vou voltar.

28 novembro, 2006

Looking for...

We need a break, some changes,
different tastes of anything.
To start again.
For us to find another day, another way,
better than this...
Crosstown (The Same Old Story)
Ez Special


Amanhã tentarei a Fotografia...

27 novembro, 2006

Não me perguntem porquê!

Deixei de procurar respostas para não ter de fazer perguntas. Por acreditar que para a maior parte das perguntas que se fazem já se tem uma resposta. Ou, pelo menos, a resposta que se quer ouvir. Não há ingenuidade no que se pergunta. Não há desconhecimento. E muitas vezes nem sequer há curiosidade. Nunca é feita a pergunta para a qual não se saiba já a resposta - que seria a única forma de perguntar alguma coisa séria. São perguntas a fingir que se pergunta. Perguntas à espera de confirmar o que se suspeita, se sabe ou se deseja. Perguntas que quase sempre transportam certezas, raramente dúvidas. São perguntas-emboscada!
Eu não pergunto. Para não “morrer pela boca”...!
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[Se tens entre 4 e 7 anos e já sabes ler, don't listening what i said... Estás, de acordo com a Epistemologia Genética de Jean Piaget, no “período intuitivo”, comummente conhecido como “a idade dos porquês” e, como tal, podes perguntar o que te der na telha!]

22 novembro, 2006

Fica...

Cresci a sonhar um dia encontrar para mim alguém como tu.

Ainda criança escondia-me no vão das escadas a ver-te beijar a minha prima, que dissimuladamente dizia ir levar o lixo à rua. Eu, tantas vezes de férias lá em casa, aguçava os lápis até às pontas, fazia rascunhos de nada, descascava, rasgava, partia... montava às escondidas uma verdadeira indústria do lixo, a pretexto de te ver beijá-la mais uma vez e de poder olhar o teu cabelo que eu sempre achei tão giro.

Eu cresci e tu, que já fazias parte da família, tornaste-te um amigo. Gosto de quando falamos sentados à mesa de um jantar terminado há horas. Gosto de invejar a tua colecção de música. Gosto de acender a lembrança das esculturas de areia que fizemos naquele verão. Das cócegas no sofá...

Para mim sempre protagonizaste o equilíbrio perfeito entre a inteligência e a sensibilidade. Tens no olhar a serenidade apaziguadora de quem sempre respeitou a vida, amando-a. A sensatez nas palavras. A calma no jeito. A lucidez na forma. Apesar da audácia. Do destemor. Espírito guerreiro, em vestes de paz... Como nos surpreendeste daquela vez que decidiste fazer o que o que sempre desejaste, sem pensares que podia ser tarde, sem pensares nas perdas, sem pensares em como iria ser duro. Como me orgulhei! Acho que nunca to disse...

Hoje a tua luta é a favor da vida. Atiras-te com bravura para a linha da frente, de braços abertos, como um escudo humano, à espera que a vida te acerte... Tu e o teu corpo declaram guerra! Eu orgulho-me. Emociono-me com a tua coragem, mais uma vez. E sinto medo... muito medo. Como queria juntar-me a ti nesta investida pela vida... Mas embato neste não saber que fazer, tão desconhecido para mim... Na minha pequenez humana. Rezo. Rezo. Rezo.

Não te deixarei morrer! Imortalizo-te dentro de mim, na gaveta sacra e hermética deste meu - hoje enfurecido - coração! Mesmo assim, por favor, não vás... fica... fica...!

Supero [-me]

Enfermo...
A cabeça pendurada no corpo.
O corpo arrastado pela cabeça.
Dor. Dilacerante. Dó de mim.
Vou correr...
E corro como em tempo algum!
Fujo...?
Ou corro atrás!?
O duche...
Ah, o duche!
Vai tudo pelo ralo...

19 novembro, 2006

Puro acaso... ou mão divina?!

Laureava pelo centro da cidade, na espera de acalentar o respiro com um sol de quase-inverno. Percebi que o natal está à porta, ao vê-lo estampado nas portas das lojas. Espreitei algumas. Pensei no Bruninho, na ausência da visita prometida e de que havia muito que não o presenteava. “Não vou esperar pelo natal” – matutei. Saí com um bilhar debaixo do braço, talvez impulsionada pelo autêntico pedipaper à procura de um na longa noite anterior.
Fui. Cheguei. O carro ainda ligado e já ele a saltar-me p’rós braços. A fatia de bolo que atrapalhadamente comia denunciou aniversário. O que me disse, acusou a minha falta de memória, um golo do acaso e a sempre atenta mão divina: “Eu sabia que vinhas...!”

Parabéns, meu anjo!

18 novembro, 2006

Súbito desejo


Aos 30 anos, e pelo motivo mais inesperado,
digo SIM à gelatina!

10 imagens e 20 razões para gostar de Barcelos



  1. Jogar às escondidas à noite no Castelo. Esconder-se nos túmulos de pedra. Levar bolachas e leite p'ró fim do jogo.
  2. Ver o Galo de Barcelos cantar noutra cidade qualquer.
  3. O caos da feira. O grito dos feirantes. O remexer as roupas à procura de nada.
  4. O delírio quando toca a Banda Plástica. E a multidão atrás...
  5. O Festival do Rio. Países grandes numa cidade pequena. As danças. As trocas. O cenário. As velas espalhadas na ponte, no castelo, nos rochedos.
  6. Ir de chinelos à mercearia.
  7. Os dois milhões de luzes na época de natal.
  8. Dar voltas seguidas às rotundas quando alguém nos segue.
  9. O pão pendurado nas portas logo de manhã.
  10. Chegar de viagem e ficar subitamente apaixonada com o cenário, como se o olhasse por primeira vez: o rio, a ponte, o castelo, as casas velhas, os campos, as gentes...
  11. Os bolos do Pérola. O bacalhau do Royal. O Jorginho a apresentar a ementa em jeito de ladainha. O café no Turismo. A música do In Rio. As festas do Vaticano organizadas pelo gueto Rock in River.
  12. Ver o fogo de artifício do Castelo, deitada na cama.
  13. As portas das casas abertas. Os vizinhos a perguntar se podem entrar, já dentro de casa...
  14. Passar a ponte a pé, em dias frios, e o vento a correr nos cabelos. Encostar-se às grades quando os carros sobem ao passeio, ficar paralisada e aproveitar para namorar o rio.
  15. As peças da Rosa Ramalho. E de tantos outros...
  16. Os Amigos da Montanha. Os passeios pedestres. Os relatos das grandes expedições. A loucura dos Jogos do Rio.
  17. O Aquário. O Piri-piri. O Escondidinho. Os tascos. Os melhores petiscos fora-d’horas. Os polícias que vão multar e acabam com um fino e uma chamussa na mão. O pagode pegado.
  18. O Affemach, o Zorro, o Ricokas. Os artistas escondidos nos loucos.
  19. A lembrança do toque no barro e das mãos gretadas dos artesãos.
  20. O cheiro das tintas do meu Pai...

Sou de Barcelos!





17 novembro, 2006

Preso na Liberdade

Sou livre. Fecho os olhos e penso com toda a minha força na minha nova condição, ainda que não esteja bem certo do que significa. Tudo o que sei é que estou completamente sozinho. Desterrado numa terra desconhecida, como um explorador solitário sem bússola nem mapa. Será isto liberdade? Não sei, confesso, e às tantas desisto de pensar nisso.
Haruki Murakami, In 'Kafka in the Shore'

Haruki Murakami, um dos mais populares escritores japoneses, nasceu em Kyoto em 1949. Formou-se em dramaturgia clássica. Foi proprietário de um bar de jazz, onde diz ter aprendido tudo o que necessita saber na vida. Os seus livros estão traduzidos em mais de 30 línguas e receberam inúmeros prémios literários. Amante de música, arte e vodka. http://www.harukimurakami.com/

13 novembro, 2006

Então, adeus...!

Gostava de poder pensar que o início deste blogue é o começo de qualquer coisa. Mas não. Faz parte da condição humana que a acção de escrever deva terminar em derrota, a saber, em um gesto que não é mais uma escrita verdadeira. Quem o disse foi Vilém Flusser (In The Gesture of Writting), e alguém com um nome assim, só pode dizer coisa atilada.
A poder ser um começo, este blogue é, então, o começo do fim. Vence o adeus sobre o olá!
Coisas do avesso, porque é no avesso que está o direito das coisas. O negativo da fotografia.

Pensar as palavras no avesso [As que não se dizem. As que nos deixam sem palavras.]
Ver as pessoas pelo avesso
[As que estão. As que chegam. As que descem na próxima estação.]
Virar os sítios do avesso [Onde já se esteve. Onde se sonha estar. Onde nunca se irá.]


Este blogue terminou de começar a ser...