02 outubro, 2007

"I want to get away...I wanna FLY away... Yeah yeah yeah "

A convite da mesma, assisti ontem ao lançamento oficial da Caminho das Estrelas - Turismo Espacial, S.A - empresa projectada pelo primeiro Português no Espaço, o empresário Mário Ferreira - e à apresentação do programa de Viagens Espaciais da Virgin Galactic, no Planetário do Porto.
Pela módica quantia de 200 mil dólares já podemos adquirir um voo de 2 horas e meia a bordo da SpaceShipTwo, uma aeronave - projectada pelo inglês Seymour Powell - lançada em direcção às "estrelas" a uma altitude de cerca de 60 mil pés pelo WhiteKnightTwo.
[Caso p’ra bradar um "Ena!" ou até mesmo soltar um "Porra… Pá… Porra…"!]


Depois de largada pelo seu "transportador", a "pequena" aeronave inicia a subida até aos 360 mil pés através da propulsão a jacto. Esta subida demora apenas 90 segundos, atingindo uma velocidade 3 vezes superior à velocidade do som [o que em termos iustrativos será o mesmo que vislumbrar-te a ti e à poltrona que te leva em perfeita simbiose, mútua osmose, tudo “ose”, transformados em “casal-perfeito-agora-somos-um-só”!].
Chegado ao apogeu (altitude máxima) e consequentemente ao espaço sub-orbital, a configuração das suas asas alteram-se para permitir planar por 3 a 4 minutos e de seguida, iniciar a descida, para a reentrada na atmosfera, puxada pela força gravitacional da Terra. Etc. Etc. Etc.
No total serão não mais de 10 minutos "a ver estrelas"... Mas admito que o cenário merecerá - já o vem dizendo João Garcia, cada vez que sobe à infinita mudez do céu...

Richard Branson não pode estar presente, mas o seu representante assegurou que os primeiros voos de teste deverão ser efectuados em 2008, estando as operações comerciais marcadas para 2009.
Até lá espero vender as Contas de Viana, as Acções da Brisa, o Bonsai Nipónico e n.º 1 da Revista Tintin... Espero fazer o “pé-de-meia” que me leve definitivamente às estrelas! Assim como tem de ser: literalmente!... Que "de boas metáforas está este inferno cheio"!
Fui cumprimentar o Mário Ferreira. A curta conversa foi suficiente para confirmar as minhas suspeitas de "tipo-porreiro".
"- Então, Mário… sempre vais até lá cima…?!" E ele contestou que sim, que estava entusiasmado, que tem vindo a fazer imensas provas... e que um dia também eu poderia ir, porque "agora somos pioneiros mas não tarda nada a viagem vai ter valores bastante acessíveis…“ Percebi que ele teria, então, passado os olhos pela minha armação da Multiópticas, quiça p’la fivela gasta das minhas botas ou incluso reparado nas madeixas já descoloradas… E a curta conversa foi suficiente para ele confirmar as suas suspeitas de "tipa-sem-200 mil dólares"! Ainda assim, sem mágoa nem ressentimento, sugeri-lhe que quando fosse tomasse duas de Vomidrine [ou o genérico correspondente, que a vida não está p’ra grandes gastos sobretudo pr’a quem viaja assim] - umas pastilhas p’ró enjoo que costumo tomar quando mergulho em incursões mais vertiginosas -, e que de forma alguma se esquecesse da Rolleiflex. Ele agradeceu. Eu – nem sei bem porquê! – também.
No regresso, alguém que assiste com alguma frequência às minhas solitárias "viagens astrais", indagou: "E essa agora de tu quereres ir ao espaço…? Se lunática já tu és que chegue!" E lá estava submersa – como em tantas outras ocasiões - a resposta na pergunta: "Aí está: precisamente porque cá ando a flutuar, quero ir lá pôr os pés na terra!"

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Aos mais ricos ou aos mais optimistas, mas impreterivelmente "curiosos do futuro", sugiro uma “viagem” ao http://www.caminhodasestrelas.com/