09 maio, 2007

Chorar é apenas uma forma simples e natural de expressão. Podia ter gritado, partido aquelas chinesices das trocas de prendas, pontapeado o gato da vizinha ou devorado o stock de chocolates calóricos da prateira do meio. Mas, contrariamente a muitas outras vezes em que uma corrida - "no sentido contrário" - tem poder de cura capaz de aligeirar, atenuar, amortizar, ontem chorei. Sem opção. A pena, de não caber no peito, procurou - sem êxito -encontrar defesa nas lágrimas...
Dizem que chorar faz bem, que desanuvia, esvazia a emoção, blá, blá.... A mim provocou-me uma insuportável dor de cabeça, capaz até de me fazer chorar novamente! Não fosse o apelo da quebra de rotina do dia de hoje e seguramente ainda estaria presa à almofada a lagrimar, desde ontem, o insustentável golpe de uma amizade-amada, de um amor-amigo. Pela perda em si mesmo. Pela brutalidade da lesão no ad-eternum adquirido. Pelo vazio que se instala quando alguém decide morrer em nós... Acho que é a minha primeira morte-matada dentro do coração. Aí, onde as leis da física parecem não se aplicar, porque estando agora mais vazio, pesa muito mais...
Como expressou um dia o poeta Valter Hugo Mae, estou mais pobre porque "me sinto tão severamente roubada. como se me tivessem vindo roubar a casa"...

1 comentário:

Pedro Moreira disse...

O "ad-eternum adquirido" é uma falsa ilusão que facilmente destruimos.

Cervantes dizia que "um bom arrependimento é a melhor medicina"

Mas o arrependimento pelo que percebi não tem de nem vai partir de ti.
A perda pode ser grande, mas és mais forte do que ela.

1beijinho