15 abril, 2007

“O meu perfume sou eu!”

Um perfume não é apenas um aroma. É, acima de tudo, um código de emoções, uma marca íntima.
A informação odorífica que recebemos vai directamente para a área límbica do cérebro, uma área complexa que contém áreas secundárias, algumas delas especificamente ligadas à emoção e à memória, e isso explica como o olfacto tem o poder de despertar lembranças e sensações no corpo e na alma. Por isso, as memórias que incluem lembrança de odores têm tendência para ser mais intensas e emocionalmente mais fortes. Também por isso, um odor que tenha sido encontrado só uma vez na vida pode ficar associado a uma única experiência e então a sua memória pode ser evocada automaticamente quando voltamos a reencontrar esse odor.
O olfacto é talvez o nosso sentido mais intenso, mais emocional. É o sentido da imaginação, das surpresas subtis, do êxtase silencioso.


E se alguém te dissesse que podes ter um perfume criado à tua medida e que traduza a tua personalidade?

A partir de 8 mil euros [!] já é possível aceder ao universo das fragâncias exclusivas! Prestigiadas marcas como Guerlain, Cartier e Jean Patou oferecem [?!] a possibilidade de teres uma jóia olfactiva concebida especialmente para ti.
Tudo começa com um encontro com o criador do perfume, onde se desbravam os gostos, memórias e estilo de vida - para determinar o perfil da pessoa em concreto -, e se passeia, durante horas, por inúmeros cenários ricos em odores (floristas, restaurantes, parques...) - de modo a identificar preferências. Depois, o trabalho é em laboratório. A meio do processo são enviadas amostras de forma a apurar preferências, podendo a fórmula final demorar um ano a ser concebida.
O resultado é a tua essência de vida num raro e luxuoso frasco em cristal de Baccarat. E a vanglória de, quando alguém te perguntar que perfume estás a usar, poderes sumptuosamente responder: “O meu!”

2 comentários:

Anónimo disse...

Creio que temos um perfume criado à nossa medida: a alma.
Sinto o "cheiro" das pessoas que me rodeiam, nos seus gestos, no seu olhar, na postura que assumem perante os outros; sei que a sensação que me trazem é directamente proporcional à intensidade do perfume que transportam dentro de si.
Bem sei que esta é outra forma de interpretar o mundo e os outros, mas tb seria de estranhar se não fosse assim... não seria o meu olhar sobre as coisas, consequentemente, não seria eu:-)

o meu nome decide quem me chama disse...

Concordo com a ideia de que a sensação que os outros provocam em nós, é "proporcional à intensidade do perfume que transportam dentro de si". Assim sendo, tenho saudades - muitas saudades - do perfume, tão intenso, do Pedro!